Dor nas pernas, inchaço e mudanças na circulação podem apontar para problemas diferentes. Entenda como distinguir doença arterial periférica de trombose e quando buscar avaliação vascular.
Resposta rápida
A doença arterial periférica costuma ser uma obstrução progressiva das artérias, geralmente por placas de gordura, reduzindo o sangue que chega às pernas. Trombose é a formação de um coágulo dentro de um vaso, mais frequentemente em uma veia profunda, dificultando o retorno do sangue. As duas condições podem causar dor, mas não são iguais: a doença arterial periférica tende a provocar dor ou cansaço ao caminhar, enquanto a trombose venosa costuma causar inchaço, calor e sensibilidade em uma perna. Como um coágulo pode se deslocar para o pulmão e a falta de fluxo arterial pode ameaçar o membro, sintomas súbitos ou intensos exigem atendimento imediato.
Resumo
- A doença arterial periférica afeta principalmente o fluxo de sangue pelas artérias e pode evoluir silenciosamente.
- A trombose é um coágulo dentro de um vaso, com apresentações venosas e arteriais que exigem abordagens distintas.
- Dor ao caminhar que melhora com repouso sugere doença arterial periférica, enquanto inchaço, calor e dor súbita em uma perna preocupam para trombose venosa.
- O diagnóstico combina avaliação clínica com índice tornozelo braço, ultrassom Doppler e exames de imagem conforme a suspeita.
- Não use anticoagulante, antiagregante ou anti-inflamatório por conta própria. A escolha depende do vaso afetado, da causa e do risco de sangramento.

O que é doença arterial periférica?
A doença arterial periférica é o estreitamento ou bloqueio das artérias que levam sangue, oxigênio e nutrientes aos braços ou, com maior frequência, às pernas. Em geral, está relacionada à aterosclerose, mas também pode resultar de outras alterações da parede arterial.
As artérias funcionam como vias de alta pressão que distribuem sangue do coração para os tecidos. Quando uma placa se acumula em sua parede, o espaço interno diminui e a circulação passa a ter dificuldade para acompanhar a demanda dos músculos, sobretudo durante uma caminhada ou subida. Esse processo é chamado de doença arterial periférica, ou DAP.
A manifestação mais conhecida é a claudicação intermitente: dor, peso, cansaço ou queimação na panturrilha, na coxa ou nas nádegas durante o esforço, com melhora ao parar. Porém, nem toda pessoa sente a dor típica. Há pacientes com redução importante da atividade física, sintomas pouco específicos ou desconforto que parece vir do quadril e de outras articulações.
A DAP não deve ser vista apenas como um problema localizado na perna. Ela costuma indicar doença aterosclerótica em outras artérias e pode acompanhar maior risco cardiovascular. Por isso, a consulta não deve se limitar ao ponto dolorido. Pressão arterial, diabetes, colesterol, tabagismo, função renal, medicamentos e histórico familiar ajudam a construir uma visão mais segura do caso.
A página do Dr. Halison Vilacorta descreve a atuação do cirurgião vascular no diagnóstico, no tratamento clínico e endovascular, na cirurgia e no acompanhamento de doenças que atingem artérias e veias. Essa avaliação integrada é especialmente útil quando a queixa parece simples, mas pode esconder comprometimento circulatório.
| Aspecto | Doença arterial periférica | Trombose venosa | Trombose arterial |
|---|---|---|---|
| Vaso afetado | Artéria, geralmente dos membros | Veia profunda, geralmente da perna | Artéria, com bloqueio do fluxo de chegada |
| Evolução típica | Progressiva, embora possa complicar de forma aguda | Pode surgir de modo agudo ou evoluir com sintomas discretos | Frequentemente súbita e potencialmente ameaçadora ao membro |
| Sinais mais sugestivos | Dor ao caminhar, melhora com repouso, pé frio e feridas de cicatrização lenta | Inchaço, calor, dor e alteração de cor em uma perna | Dor intensa, palidez, frieza, dormência e perda de força |
| Exames usuais | Índice tornozelo braço e Doppler arterial | Doppler venoso | Exame vascular e imagem do fluxo arterial |
| Tratamento em linhas gerais | Controle de risco, exercício orientado, medicamentos e revascularização quando indicada | Anticoagulação e medidas selecionadas conforme risco e extensão | Restabelecimento urgente do fluxo, com medicamentos ou procedimento conforme o caso |

O que é trombose?
Trombose é a formação de um coágulo dentro de um vaso sanguíneo. Ela pode ocorrer em veias, como na trombose venosa profunda, ou em artérias, onde pode interromper rapidamente o fornecimento de sangue a um tecido.
O sangue precisa permanecer fluido dentro dos vasos, mas também deve coagular quando há uma lesão. A trombose aparece quando esse equilíbrio se rompe e o coágulo se forma ou cresce em local inadequado. O efeito depende da posição, do tamanho e da velocidade de instalação do coágulo.
Na trombose venosa profunda, o sangue encontra dificuldade para retornar ao coração. É comum haver inchaço, dor, aumento de temperatura e mudança de cor em uma perna, embora os sinais possam ser discretos ou até ausentes. O maior risco é o deslocamento do coágulo para os pulmões, situação chamada embolia pulmonar.
A trombose arterial tem outra lógica. O coágulo reduz ou bloqueia o sangue que chega ao tecido. Quando acomete uma perna, pode produzir dor intensa e súbita, palidez, frieza, formigamento, perda de força e ausência de pulso. Esse quadro é uma emergência vascular.
Uma placa de aterosclerose pode favorecer a formação de trombo, e um trombo também pode se sobrepor a uma artéria já estreitada. Assim, DAP e trombose não são sinônimos, mas podem coexistir, principalmente quando há diabetes, tabagismo, doença renal ou histórico cardiovascular.

Quais são as causas da doença arterial periférica?
As causas mais comuns da doença arterial periférica envolvem aterosclerose e exposição prolongada a fatores que lesionam a parede das artérias, como tabagismo, diabetes, pressão alta e colesterol elevado.
Na aterosclerose, partículas de gordura, células inflamatórias e tecido fibroso se acumulam na parede arterial. Com o tempo, a placa endurece, reduz o espaço por onde o sangue passa e pode sofrer ruptura. O organismo tenta reparar essa lesão, mas a resposta pode aumentar a obstrução ou estimular um coágulo sobre a placa.
O tabagismo está entre os fatores mais importantes porque prejudica o revestimento interno dos vasos, favorece contração arterial e acelera a formação de placas. O diabetes também produz lesões vasculares por meio da glicose persistentemente elevada e costuma se associar a alterações nos nervos e na cicatrização dos pés.
Pressão alta, colesterol alterado, idade avançada, sedentarismo, obesidade e doença renal crônica aumentam o risco. Ter um familiar com doença arterial precoce também pode indicar predisposição. Esses fatores não agem isoladamente: a combinação deles torna mais provável que uma pessoa desenvolva obstruções e tenha progressão mais rápida.
A relação entre diabetes e tendência à coagulação merece atenção. Um estudo publicado no PubMed em dois mil e vinte e cinco encontrou aumento progressivo do valor de MA_ADP conforme a HbA1c se elevava em pacientes com DAP. A associação observada foi de aumento de 2,261 unidades de ADP MA para cada aumento de uma unidade de HbA1c, sugerindo um estado mais pró-trombótico associado ao diabetes, embora esse dado não substitua a avaliação clínica.
Nem toda dor nas pernas é causada por DAP. Artrose, compressão de nervos, problemas musculares e doenças da coluna podem produzir sintomas parecidos. A investigação dos fatores de risco ajuda, mas o diagnóstico precisa confirmar se há redução de fluxo arterial.

Quais são as causas da trombose?
A trombose resulta de uma combinação entre sangue mais propenso a coagular, lesão da parede do vaso e redução do fluxo. Essa combinação pode aparecer após imobilidade, cirurgia, trauma, câncer, uso de hormônios ou doenças que alteram a coagulação.
Permanecer longos períodos sem movimentar as pernas reduz a ação da musculatura da panturrilha, que normalmente ajuda o sangue venoso a subir. Viagens prolongadas, internações, repouso depois de uma operação e imobilização por fratura podem contribuir para a estase, sobretudo quando se somam a outros fatores.
Cirurgias, traumas e inflamações podem lesar o vaso e ativar a coagulação. Câncer, algumas doenças autoimunes, alterações hereditárias da coagulação e episódios anteriores de trombose também aumentam a suspeita. Gestação e puerpério modificam naturalmente o equilíbrio da coagulação, e terapias hormonais podem exigir avaliação individual do risco.
A trombose arterial pode surgir sobre uma placa de aterosclerose, após uma ruptura de placa ou por um êmbolo que veio do coração ou de outra artéria. Arritmias e algumas doenças cardíacas favorecem a formação de coágulos que circulam até um vaso mais estreito.
Diabetes não é apenas um fator relacionado às artérias. O estudo publicado no PubMed em dois mil e vinte e cinco que avaliou pacientes com DAP encontrou elevação progressiva de MA_ADP com o aumento da HbA1c, achado compatível com maior força de formação do coágulo. Isso reforça a necessidade de controlar a glicemia, sem transformar um marcador laboratorial em diagnóstico isolado.
A causa também orienta a prevenção. Suspender o cigarro, retomar movimentos de forma segura, controlar doenças crônicas e seguir corretamente as orientações após alta podem reduzir riscos, mas não substituem medicamentos prescritos quando eles são necessários.

Quais são os sintomas da doença arterial periférica?
A DAP pode causar dor, peso, cansaço ou câimbra durante a caminhada, com melhora ao repouso. Em fases mais avançadas, pode haver dor mesmo parado, feridas que não cicatrizam e alterações de cor ou temperatura no pé.
O padrão da dor é uma pista importante. A pessoa caminha até certa distância, sente desconforto na panturrilha ou na coxa, para e melhora depois de alguns minutos. Com a progressão, a distância tolerada diminui. O sintoma pode ser confundido com falta de condicionamento, problema no joelho ou dor lombar, principalmente quando a pessoa não percebe a relação com o esforço.
Pés frios, pele pálida ou arroxeada, redução de pelos, unhas frágeis e atrofia da pele são sinais de circulação arterial reduzida. Uma ferida pequena causada por sapato apertado ou trauma pode levar muito tempo para fechar. Em quem tem diabetes, a perda de sensibilidade pode mascarar a gravidade da lesão.
A dor em repouso costuma indicar comprometimento mais importante, especialmente quando piora ao deitar e melhora ao deixar a perna pendente. Feridas dolorosas nos dedos, necrose e escurecimento do tecido exigem avaliação rápida. Dor súbita associada a frieza, palidez, dormência ou perda de força é uma emergência, porque pode significar interrupção aguda do fluxo.
A ausência de sintomas não exclui DAP. A página do Dr. Halison Vilacorta alerta que muitos pacientes podem ser assintomáticos por não realizarem atividade suficiente para provocar isquemia, enquanto outros apresentam apenas intolerância inespecífica ao exercício ou dor em articulações. Por isso, pessoas de maior risco precisam conversar com um médico mesmo sem a claudicação clássica.

Quais são os sintomas da trombose?
A trombose venosa costuma provocar inchaço, dor, calor e vermelhidão ou alteração de cor em uma perna. A trombose arterial tende a ser mais súbita e pode causar dor intensa, palidez, frieza, formigamento, fraqueza e ausência de pulso.
Na trombose venosa profunda, a diferença entre as pernas pode chamar atenção. A panturrilha ou a coxa pode ficar dolorida ao toque, pesada e mais quente. O inchaço pode aparecer ao longo do dia e piorar quando a pessoa fica em pé. Como esses sinais também ocorrem em infecções, lesões musculares e outras condições, não é seguro concluir o diagnóstico apenas pela aparência.
A embolia pulmonar pode surgir quando parte do coágulo chega aos pulmões. Falta de ar repentina, dor no peito, desmaio, palpitação ou tosse com sangue são sinais de emergência. Nessa situação, não se deve massagear a perna nem aguardar uma consulta de rotina.
Na trombose arterial, a instalação costuma ser abrupta. A perna pode perder cor e temperatura, ficar muito dolorosa e apresentar dormência ou dificuldade de movimentação. O atendimento deve ser imediato, pois cada momento de falta de oxigênio pode influenciar a preservação do tecido.
Há casos com poucos sintomas, especialmente em pessoas com neuropatia, idade avançada ou limitações de comunicação. O contexto é decisivo: cirurgia recente, longa imobilização, câncer, uso de hormônios, trauma ou episódio anterior de trombose aumentam a necessidade de avaliação.

Como diagnosticar a doença arterial periférica?
O diagnóstico da DAP começa pela história dos sintomas e pelo exame dos pulsos, da pele e das feridas. O índice tornozelo braço compara a pressão arterial do tornozelo com a do braço e ajuda a identificar redução do fluxo.
Durante a consulta, o médico procura saber quando a dor aparece, quanto tempo leva para melhorar, se ocorre ao repouso e se limita atividades habituais. Também avalia tabagismo, diabetes, pressão alta, colesterol, doença renal, histórico de infarto ou acidente vascular cerebral e intervenções vasculares anteriores.
O índice tornozelo braço é um exame simples, feito com aparelho de pressão e Doppler. Quando há dúvida, calcificação arterial ou diabetes, outros métodos podem ser necessários, porque artérias muito rígidas podem produzir medidas menos confiáveis. O teste pode ser complementado por pressão dos dedos, índice dedo braço e avaliação das ondas de fluxo.
O ultrassom Doppler arterial mostra a direção e a velocidade do sangue, além de localizar estreitamentos e obstruções. Angiotomografia ou angiorressonância podem mapear a anatomia quando se considera um procedimento. A arteriografia é reservada para situações selecionadas, muitas vezes quando o exame já integra o planejamento de uma intervenção endovascular.
A avaliação também procura diagnósticos alternativos. Dor que surge sempre com determinada postura, perda de força por causa neurológica ou limitação articular pode exigir investigação fora das artérias. A conclusão deve juntar sintomas, exame físico e testes, em vez de depender de uma imagem isolada.

Como diagnosticar a trombose?
A suspeita de trombose é investigada conforme o vaso envolvido. Para trombose venosa, o ultrassom Doppler é o exame de imagem mais usado; para trombose arterial, a avaliação do pulso e a imagem do fluxo orientam a urgência e a estratégia de tratamento.
Na suspeita de trombose venosa profunda, o médico estima a probabilidade clínica a partir dos sintomas e dos fatores de risco. O Doppler venoso avalia se a veia é compressível e se o sangue circula adequadamente. Em situações específicas, exames laboratoriais podem ajudar a afastar a hipótese, mas não devem atrasar a imagem quando a suspeita é alta.
Se há falta de ar, dor torácica ou desmaio, a prioridade é investigar embolia pulmonar em ambiente de emergência. A equipe pode solicitar exames de sangue e imagens do tórax conforme a estabilidade da pessoa e a probabilidade clínica. Não é adequado iniciar ou suspender anticoagulante sem avaliação profissional.
Na trombose arterial aguda, o exame físico tem enorme valor. Cor, temperatura, sensibilidade, força e pulsos ajudam a identificar a gravidade. O Doppler arterial, a angiotomografia ou a arteriografia podem mostrar o ponto de bloqueio e orientar a retirada do coágulo, a dissolução do trombo ou a restauração do fluxo.
Exames de sangue podem investigar anemia, função renal, glicemia, coagulação e fatores associados. O resultado precisa ser interpretado no contexto, porque nenhum teste isolado diferencia todos os tipos de trombose ou revela sozinho sua causa.

Qual é o tratamento para a doença arterial periférica?
O tratamento da DAP combina controle rigoroso dos fatores de risco, exercício orientado, medicamentos e, quando necessário, revascularização. O objetivo é melhorar a caminhada, proteger o membro e reduzir eventos cardiovasculares.
Parar de fumar, controlar diabetes, pressão e colesterol, manter alimentação adequada e realizar atividade física prescrita são partes centrais do cuidado. O exercício supervisionado ou estruturado estimula adaptação da circulação e melhora a capacidade funcional, mas pessoas com dor em repouso, feridas ou suspeita de isquemia crítica devem ser avaliadas antes de iniciar um programa.
O tratamento medicamentoso pode incluir antiagregante, estatina e remédios para os fatores de risco. A diretriz de dois mil e vinte e quatro da American Heart Association recomenda, em pacientes com DAP, terapias médicas eficazes para prevenir eventos cardiovasculares e eventos adversos nos membros, incluindo antiagregantes e antitrombóticos quando indicados.
A mesma diretriz informa que rivaroxabana 2,5 mg duas vezes ao dia combinada com aspirina em baixa dose, descrita como 81 mg ao dia, reduz eventos cardiovasculares e eventos adversos dos membros em pacientes com DAP sem risco aumentado de sangramento. Essa estratégia não é automática para todos. O médico precisa considerar sangramentos prévios, função renal, outros remédios e o tipo de DAP.
A diretriz de dois mil e vinte e quatro da European Heart Journal afirma que a terapia antitrombótica não deve ser administrada sistematicamente em pessoas com DAP assintomática. A diferença entre essa situação e a DAP sintomática, ou entre tratamento clínico e pós procedimento, mostra por que não se deve começar aspirina ou anticoagulante por conta própria.
Quando o fluxo continua insuficiente, podem ser indicados angioplastia, colocação de stent, aterectomia ou cirurgia de ponte, conforme a anatomia e o estado clínico. Depois da revascularização, terapias antiagregantes e antitrombóticas reduzem sintomas recorrentes e eventos adversos maiores dos membros, segundo a diretriz da American Heart Association.

Qual é o tratamento para a trombose?
O tratamento da trombose depende de ser venosa ou arterial, do local do coágulo, da extensão, do risco de sangramento e da estabilidade da pessoa. Anticoagulantes são comuns na trombose venosa, enquanto a trombose arterial aguda pode exigir medidas imediatas para restaurar o fluxo.
Na trombose venosa profunda, o anticoagulante impede que o coágulo cresça e reduz a chance de novos coágulos. A escolha do medicamento, da dose e do período de uso depende de câncer, gestação, função renal, risco de queda, sangramento, interações e motivo que desencadeou o episódio. Em casos selecionados, podem ser consideradas técnicas endovasculares ou filtro de veia cava, mas não são necessárias para todas as pessoas.
Elevar a perna, movimentar-se conforme orientação e tratar fatores predisponentes ajudam na recuperação. Meias de compressão podem ser recomendadas em situações específicas, depois que o profissional avalia o fluxo arterial e o risco de lesão. A compressão não deve ser iniciada sem orientação quando existe suspeita de DAP relevante.
Na trombose arterial aguda, o tempo é crítico. O atendimento pode envolver anticoagulação inicial, retirada mecânica do coágulo, trombólise, angioplastia, stent ou cirurgia. A decisão depende do local da obstrução, do tempo de sintomas e da presença de tecido ameaçado.
O tratamento da causa é tão importante quanto tratar o coágulo. Pode ser necessário investigar arritmia, placa arterial, doença inflamatória, câncer ou alteração da coagulação. Sangramento nas fezes ou na urina, vômito com sangue, dor de cabeça intensa e queda importante após o início de um anticoagulante exigem contato médico imediato.

Doença arterial periférica versus trombose: qual a diferença?
A diferença central é anatômica e fisiológica: DAP é uma doença arterial geralmente crônica, enquanto trombose é um coágulo formado dentro do vaso e pode ocorrer em veias ou artérias. Uma pessoa com DAP também pode desenvolver trombose, especialmente sobre uma placa ou depois de uma intervenção.
Como diferenciar pelo mecanismo
Na DAP, a obstrução costuma se formar gradualmente por aterosclerose. O sangue chega em menor quantidade aos músculos e à pele, e a queixa aparece quando a demanda aumenta. Na trombose venosa, o problema é o retorno do sangue. Na trombose arterial, o bloqueio interrompe a chegada de sangue e pode se instalar de modo abrupto.
Essa distinção explica por que uma perna inchada, quente e dolorida não deve ser tratada como simples má circulação, e por que uma perna fria, pálida e com dor súbita não deve ser observada em casa. O mesmo termo popular, circulação ruim, pode esconder problemas com condutas completamente diferentes.
Como diferenciar pelos sintomas
Dor previsível ao caminhar, alívio com repouso, pé frio, feridas de cicatrização lenta e pulsos reduzidos apontam mais para DAP. Inchaço unilateral, calor, sensibilidade e mudança de cor apontam mais para trombose venosa. Dor súbita com palidez, frieza, dormência ou perda de força aponta para possível trombose arterial ou outra isquemia aguda.
Esses padrões são orientadores, não diagnósticos. Uma pessoa pode ter sintomas mistos, apresentar mais de uma doença ou não ter o quadro típico. O Doppler e a avaliação vascular são decisivos para definir o que está acontecendo.
Como diferenciar pelo diagnóstico
O índice tornozelo braço e o Doppler arterial investigam a DAP. O Doppler venoso é central para a suspeita de trombose venosa profunda. Na trombose arterial, exames de fluxo e imagem anatômica ajudam a localizar a obstrução e planejar uma intervenção urgente.
Em pacientes com DAP submetidos à revascularização, um estudo observacional publicado no PubMed em dois mil e vinte e quatro registrou evento trombótico em 28 de 158 pessoas durante o acompanhamento de um ano, equivalente a 17,7%. O estudo também encontrou MA_ADP maior que 42 mm como melhor preditor de maior risco de trombose, com sensibilidade de 82% e especificidade de 50%. Esses achados descrevem associação em um grupo estudado, não uma regra para prever o futuro de cada paciente.
Outro resumo de artigo publicado no PubMed em dois mil e vinte e quatro informou que o aumento da força do coágulo foi preditivo de trombose ou estenose em até 30 dias. O resultado ajuda a entender por que o período após uma intervenção exige acompanhamento atento, mas não substitui os exames e a decisão individual do cirurgião vascular.
Como diferenciar pelo tratamento
Na DAP, o foco costuma ser reduzir a progressão da aterosclerose, melhorar o desempenho ao caminhar e proteger coração e membros. Na trombose, o foco inicial é impedir a extensão do coágulo, tratar a obstrução e evitar embolização ou perda de tecido. Antiagregantes e anticoagulantes não são intercambiáveis, e cada um tem indicações e riscos próprios.
Não tente classificar sozinho uma dor na perna como trombose ou DAP. Procure atendimento imediato diante de falta de ar, dor no peito, desmaio, perna subitamente fria ou pálida, perda de força ou dor intensa de início recente. Para sintomas persistentes ao caminhar, feridas que não cicatrizam, inchaço recorrente ou fatores de risco importantes, agende avaliação com cirurgião vascular. Leve exames anteriores e a lista dos medicamentos em uso, pois essas informações ajudam a decidir o caminho diagnóstico com mais segurança.
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Perguntas frequentes
Doença arterial periférica é o mesmo que trombose?
Não. A doença arterial periférica geralmente envolve estreitamento progressivo das artérias por aterosclerose. Trombose é a formação de um coágulo dentro de um vaso e pode ocorrer em veias ou artérias. As duas condições podem coexistir, mas o diagnóstico e o tratamento são diferentes.
Dor na panturrilha significa trombose?
Não necessariamente. Dor ao caminhar que melhora com repouso pode ocorrer na doença arterial periférica, enquanto trombose venosa costuma vir com inchaço, calor e sensibilidade em uma perna. Lesões musculares e problemas articulares também podem causar dor. O diagnóstico depende de avaliação médica e, quando indicado, Doppler.
Trombose venosa pode causar falta de ar?
Pode. Se parte do coágulo chegar aos pulmões, pode ocorrer embolia pulmonar, com falta de ar súbita, dor no peito, desmaio ou palpitação. Esses sinais exigem atendimento de emergência.
Qual exame identifica doença arterial periférica?
O índice tornozelo braço é uma avaliação inicial frequente, complementada por exame físico e, quando necessário, ultrassom Doppler arterial, angiotomografia, angiorressonância ou arteriografia.
Qual exame identifica trombose na perna?
O ultrassom Doppler venoso é o exame mais usado para investigar trombose venosa profunda. Quando a suspeita é arterial, o exame físico e o Doppler arterial ajudam a avaliar a urgência e a localização da obstrução.
Quem tem doença arterial periférica deve tomar anticoagulante?
Não automaticamente. A indicação depende dos sintomas, de procedimentos realizados, de outras doenças e do risco de sangramento. Diretrizes distinguem a DAP assintomática de situações sintomáticas ou após revascularização. Não inicie o medicamento sem prescrição.
Uma perna fria e pálida é sinal de urgência?
Sim, principalmente quando a mudança surge de repente e vem acompanhada de dor, formigamento, fraqueza ou ausência de pulso. Pode haver interrupção aguda do fluxo arterial, situação que precisa de atendimento imediato.
O diabetes aumenta o risco de DAP e trombose?
Sim. O diabetes favorece lesões arteriais, piora a cicatrização e pode se associar a maior tendência à formação de coágulos. Controle glicêmico, cuidado com os pés e acompanhamento vascular são importantes.
Glossário
Doença arterial periférica: Estreitamento ou obstrução das artérias que levam sangue aos membros, geralmente associado à aterosclerose.
Trombose: Formação de um coágulo dentro de um vaso sanguíneo.
Trombose venosa profunda: Coágulo em uma veia profunda, geralmente da perna, com risco de embolia pulmonar.
Trombose arterial: Coágulo que reduz ou interrompe o sangue em uma artéria, podendo ameaçar o tecido.
Aterosclerose: Acúmulo de placas na parede das artérias, com inflamação, endurecimento e estreitamento do vaso.
Índice tornozelo braço: Comparação das pressões do tornozelo e do braço usada para investigar redução do fluxo arterial.
Ultrassom Doppler: Exame de imagem que avalia o vaso e o movimento do sangue em artérias e veias.
Embolia pulmonar: Obstrução de uma artéria pulmonar, frequentemente causada pelo deslocamento de um coágulo venoso.